domingo, 24 de abril de 2005

Ilha fria na solteira barriga em três partes

O início

Olá, aqui estou novamente, revendo amigos, respirando os ares solteiros e sentindo o calor característico dessa cidade que outrora minha casa. A vida moderna muda rapidamente e nossa consciência, na maioria das vezes, não acompanha as mudanças ocorridas em nossa base material. Nada marxista isso, né? Tudo bem, a cada dia que passa minha consciência se define nessa linha teórica. Ainda é cedo para afirmar qualquer coisa consistente, afinal, apenas este ano que estou lendo Hegel e para ser um bom marxista é necessário ler Hegel. Caso contrário é tudo balela, ou discurso pronto da academia. Olha, já mal entrei no mestrado e estou querendo acabar com a academia. É isso mesmo, tudo balela ou discursinho pronto. E não é só isso, como eu já li bastante Marx e continuo lendo para uma disciplina, depois de Hegel vou ler A ontologia do ser social: a falsa e a verdadeira ontologia de Hegel do nosso querido Lukács. Para os leigos do Serviço Social isso é percorrer o caminho da teoria crítica apropriada pelo Serviço Social atual. É claro que a minha única intenção é destruir tudo de uma maneira fundamentada e produzir alguns artigos liberais para publicação, afinal, tenho que me prostituir para Capes que paga minha sobrevivência nesta vida e quem sabe em outras também. Mas...

O meio

o que eu quero falar é sobre frio na barriga. Esta sensação extremamente contraditória que nos invade em momentos sentimentais, principalmente, em despedidas. O ônibus se vai, a pessoa fica e o frio na barriga se apossa de você. A vida é assim: encontros e despedidas, mas será que existirão outros Barretos, ou outras Perreiras? Só o futuro responderá, pois no momento apenas existe o frio na barriga da saudade de algo que não é real. Ficção! Criação! Ilusão! Representação psicológica de um mundo colorido e sexy e envolvente e atraente que só existe entre os olhares perdidos e sorrisos disfarçados de intenções que só Freud explica. Ou, nem mesmo ele. Afinal, é muita pretensão querer conhecer a alma feminina que nos provoca tantas emoções, entre elas, frios na barriga.

O fim (ou recomeço)

Terceira parte da mensagem, síntese. Cada parágrafo foi um momento, cada momento foi um sentimento, e cada sentimento foi um dia da semana na calorosa Ilha Solteira que provoca intensos frios na barriga. Estou no ônibus para Rio Preto ver meus pais, meu irmão e talvez minha irmã, não sei se ela está lá. Detalhe: quase perdi o ônibus. Cheguei na rodoviária e ele já estava saindo. Mas há justificativa para isso: ressaca! Só física, por favor, nada de moral. Ontem fizemos uma festinha na casa da Silvia e do Lê. Foi praticamente uma despedida dos ares solteiros, que com certeza respirarei novamente. Estava muito boa. Obrigado a todos e todas, até aqueles que não puderam participar mas que marcaram minha passagem pela cidade. Momento importante: só para registrar, coincidência ou não, estou passando por Pereira Barreto ouvindo Bjork. É impressionante a vida nômade. A cada dia tenho mais certeza que meu fim é o nomadismo atrelado a algo razoalvemente fixo, por exemplo, uma casa para chegar e me sentir em casa. E o bom de tudo é que organizo minha vida isso, o que significa que me conheço minimamente. Isso é muito bom, isso é a terceira parte da minha vida. A síntese de algo construído no interior do meu ser que se construiu pelas marcas do caminho percorrido. Sempre privilegiei o caminho em detrimento do fim, não sou tão maquiavélico. O caminho se faz caminhando. Que jargão!!! Tudo bem, meu blog tem licença Idiotice. Meu Deus, como esse ônibus balança! Chega, cansei. Vou terminar esta parte me ocupando com pensamentos de algo inexistente, ouvindo Bjork e viajando, é claro.

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Diálogo sobre a Morte

O que você está fazendo aqui?

Vim conversar com você.

Sobre o quê?

Sobre mim mesma.

Não posso agora.

Mas o que te faz pensar isso?

Lembra? Estou Eternamente Vivo.

Adoro humor negro, ainda mais combinado com pretensão divina.

E foi assim que tudo começou. Não, na verdade não foi assim. Isso foi apenas para ficar mais poético. É que na verdade eu estou morto. Mas depois eu falo sobre. O foco da minha atenção é a filmagem do nosso primeiro curta-metragem: é dia 11/04, às 0h30, Fabrício, Leo e eu em plena atividade artística-intelectual construindo um curta chamado “Diálogo sobre a Morte”. Mas vocês ficarão na curiosidade, pois não vou relatar nada sobre o conteúdo, terão que assistir. Agora voltarei ao fato da minha morte que se chama “A aula”.

A aula

Paternalistas férias de muito tempo. Trabalhador populista anarquista é nesse sentido a classe dominante de 1964. O Estado sindical é inconsciente coletivo, carisma de fala do ministério da posse, logo o governo cria esse trabalho segundo a estrutura de 1932. Compilada desde 30 do desenvolvimento capitalista cooperativista e vertical da base. Aqui em cima depois as confederações do organizado número do ministério das circunstâncias. Burocrática. A CUT pra poder fora dessa classe operária também não se beneficia no processo de construção. Depois tem claro do Ministério do Trabalho que não vai representar o pelego dos trabalhadores de cooperativas. Cada trabalhador é o seguinte: FAT.

O estudante não podia decretar com base na preocupação de grandes conquistas que foi lógico que não pode negar. O mais pessoal é da CUT que pôs de graça. Não é meu pra quê?

Tese de doutorado por acaso, porque conseguiram o trabalho para outro lugar. Não são os grupos combativos que os direitos assegurados no grito de alerta. Tipo de Argentina, mas isso a favor resolver primeiro industrializar criar a UDN. Juscelino PSD, ARENA e 1946 a 1964. Ferrovia sinônimo de marmore.

quarta-feira, 13 de abril de 2005

Esquecer o aniversário é inesquecível

Não sei se vocês lembraram, mas dia 10 de abril foi meu aniversário. Se lembraram parabéns, pois eu esqueci. Na verdade sei que dia 10 foi meu niver, o que aconteceu é que eu jurava que seria no próximo final de semana. Tudo começou quando no sábado à tarde eu conversava com o Fabrício e falávamos do meu aniversário que seria na semana que vem. Aquilo ficou na minha cabeça. À noite fomos ao teatro. Depois fomos para o Bar do Seo Zé tomar aquela breja e jogar conversa fora. Faltando 20min para 0h, ou seja, para meu aniversário, a Xuxu perguntou o que eu havia programado fazer no fim da noite. Eu, todo ingênuo, respondi que estudaria. Com aquele olhar de “vai tomar no cu” a Xuxu questiona: “Meu, você vai passar seu aniversário estudando?”.
Calma!! Para tudo! Que dia é hoje?
Sábado, dia 09 de abril.
Tem certeza?
Ainda pergunta se tem certeza, é muito cuzão!
Meu DEUSSS!!! O que eu faço agora?
Vira uma dose de conhaque...
Realmente é algo sem noção. É claro que depois desse fato minha vida mudou significativamente. Estudo? Deixa pra lá! Afinal, estudar no aniversário dá azar. Tudo bem, vamos pra moradia e blá, blá, blá... No domingo, meu aniversário, o Fabrício e eu fizemos aquele almoço regado de algumas brejas. Bifinho, vamos tomar uma pinguinha antes de almoçar. Vamos Fá! Os astros conspiram contra, ou a favor. Fomos para o Seo Vanderley e 500ml de pinga de alambique, por sinal muito boa! O problema que no meio do caminho tinha um cemitério. Cemitério no meio do caminho com 500ml de pinga não é uma boa idéia. Começamos a procurar o túmulo de uma foto que eu tirei há 3 anos. E procura e bebe e procura e bebe e bebe e conversa com São Francisco de Assis e bebe mais um pouco e procura e... “Fá, temos que encontrar um túmulo em que a pessoa nasceu ou morreu no dia 10/04”. Dois passos pro lado e..... UM TÚMULO EM QUE A PESSOA NASCEU E MORREU NO DIA 10/04/1953!!! Isso mesmo, ele, o Daniel Pinheiro, nasceu e morreu no mesmo dia!! E dia 10/04. Tudo bem, são coisas da vida. Acontecem todos os dias casos como esse.
Estamos saindo do cemitério quando o Fá resolve conversar com um senhor que estava de pé em frente ao túmulo do filho. Momento delicado e importante. Flores de plástico não morrem e o Fá teve que explicar isso para o senhor. Acho que ele entendeu a mensagem. Assim como vocês entenderam como foi meu inesquecível aniversário de 25 anos.


sexta-feira, 8 de abril de 2005

Arroz com ovo alimenta

Esta mensagem será a mensagem das citações. Vamos começar com uma auto-explicação:

"- Para Hegel, a história é a única e longa cadeia de pensamentos, cujos elos não se unem ao acaso, mas segundo determinadas regras. Quem se dedica ao estudo sério da história percebe que geralmente um novo pensamento surge com base em outros formulados anteriormente. Uma vez formulado, porém, o novo pensamento será inevitavelmente contradito por outro. Aparecem, assim, duas formas de pensar que se opõem e entre elas há uma tensão. Esta tensão é quebrada quando um terceiro pensamento é formulado, dentro do qual se acomoda o que havia de melhor nos dois pontos de vista precedentes. É isto que Hegel chama de evolução dialética." (Mundo de Sofia, J.G.)

Nem preciso explicar muito o porque desta passagem. Digamos que ela é uma explicação do que acredito (tirando o idealismo, é claro) e consequentemente do que sou e como este blog se desenvolve diante os acontecimentos e sentimentos. Esta mensagem é fruto da tensão das duas anteriores, somada aos acontecimentos recentemente atrasados.
Quarta-feira o Fabrício e eu estávamos sentindo a "delícia da vida" e escutando música clássica quando esta mensagem começou a ser pensada. É incrivél! Quanto mais você conhece a "delícia da vida", mais você compreende a dor. Tudo começou quando estávamos conversando sobre projetos futuros, valores de vida, ambições, desejos e sonhos quando chegamos a esta conclusão auto-explicativa: "Arroz com ovo alimenta". É claro que somos muito mais que isso, afinal, é como disse Madre Maria Joana de Deus (um espírito): "Nós gostamos de pessoas tristemente alegres e alegremente tristes".
Ontem também foi um dia que daria um post enorme, afinal, festas são extremamente ricas em materiais blogísticos. Mas hoje eu não estou nem um pouco "subjetivo" e, portanto, nem um pouco animado para escrever.

* Mensagem escrita com a importante colaboração do Fabrício.


segunda-feira, 4 de abril de 2005

Eternamente Vivo

Existem duas coisas que realmente dificultam-me escrever. A primeira é pensar em algo e andar ao mesmo tempo. Definitivamente não dá. Sábado, por exemplo, até tentei quando voltava da moradia às 6h da manhã e pensava em várias coisas, inclusive na possibilidade de escrever esta mensagem. É realmente difícil.
A outra, não menos importante, é a disponibilidade de ter um teclado em minha frente. Eu realmente sou dependente da tecnologia informática. Fico pensando: como os escritores davam conta de produzir várias e várias páginas de livros e livros. Meu, devia ser um saco total. E o pior é que senti esse sofrimento na pele quando escrevi esta mensagem (escrita no sábado). Imaginam a cena: eu, no quarto, sentado de cueca, com um caderno, uma caneta, quase sete horas da manhã com um monte de idéias cretinas na cabeça. E detalhe: ainda tinha cigarros para pensar.
Embora com pouco identificação, o ambiente era potencialmente criativo. Ao meu lado esquerdo havia uma indiana??? e uma carranca. Ao meu lado direito um quadro do Monet psicografado. E atrás um livro com obras de Picasso. Sem piadinhas idiotas, por favor! A única coisa que não vi era o essencial, que no caso é invisível.
No outro dia, ao ler esta mensagem escrita em meu caderno ela já havia perdido seu encanto inicial, coisas do cérebro alterado. Me senti um idiota, mas nem liguei para tal sentimento também idiota. O importante é que vou publicá-la, pois tudo que senti naquele momento era a beleza de estar Eternamente Vivo a procura de mim mesmo.